Os insumos biológicos deixam de ser uma tendência para se tornarem uma estratégia econômica central na agricultura brasileira.

Os insumos biológicos deixam de ser uma tendência para se tornarem uma estratégia econômica central na agricultura brasileira.

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A Rovensa Next convidou Carlos Cogo, renomado consultor do agronegócio, para compartilhar sua análise e perspectiva sobre o atual cenário do mercado brasileiro. Confira seus insights e recomendações:

Por Carlos Cogo | Consultor do Agronegócio | COGO Inteligência em Agronegócio

O agronegócio brasileiro atravessa um ponto de inflexão silencioso, mas de profundas consequências. Em um cenário marcado por margens comprimidas, restrição de crédito, taxas de juros elevadas e persistente volatilidade geopolítica, os insumos biológicos deixaram de representar apenas uma narrativa de sustentabilidade para se consolidarem como uma decisão econômica. Hoje, os produtores que adotam soluções biológicas não estão apenas respondendo às demandas ambientais — estão gerenciando sua estrutura de custos.

De nicho à escala: um mercado em expansão estrutural

O Brasil consolidou sua posição como um dos maiores produtores e consumidores de insumos biológicos do mundo. Em 2025, o mercado de bioinsumos ultrapassou R$ 6,2 bilhões em faturamento, registrando crescimento de 15% em relação ao ano anterior, enquanto a área tratada atingiu o recorde de 194 milhões de hectares, uma expansão de 28% em relação a 2024. Desde 2019, quando movimentava R$ 675 milhões, o setor ampliou seu faturamento em mais de nove vezes. Entre 2022 e 2025, o número de empresas atuando nesse segmento cresceu mais de 50%.

Dentro do setor, os bionematicidas registraram a maior expansão de área em 2025, incorporando 16 milhões de hectares — um crescimento de 60% em relação a 2024 — consolidando seu papel nos programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP). Em termos de faturamento, os bioinseticidas lideraram o mercado, representando 35% do valor total, seguidos pelos bionematicidas (30%), biofungicidas (22%) e inoculantes (13%). Os inoculantes foram aplicados em 77 milhões de hectares, refletindo seu papel central na transição da agricultura brasileira para sistemas produtivos de menor emissão de carbono.

Atualmente, o Brasil representa 18% do mercado global de bioinsumos e responde por metade de toda a movimentação financeira do setor na América Latina. Até o final da década, projeta-se que o setor expanda sua área tratada em 66%, enquanto o faturamento deverá alcançar R$ 9,88 bilhões na safra 2029/30. Esses números não representam projeções aspiracionais. Eles estão fundamentados em índices de adoção já observados e no avanço do ambiente regulatório.

A equação econômica que mudou essa lógica

A lógica por trás desse movimento é simples. Em 2025, o Brasil importou um volume recorde de 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes, enquanto as entregas ao mercado interno atingiram 49 milhões de toneladas, também um recorde, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O país é atualmente o maior importador mundial de fertilizantes, respondendo por 23% das importações globais, com uma conta anual de US$ 16,73 bilhões em 2025.

A dependência das importações por nutriente tornou-se ainda mais acentuada. Em 2025, o Brasil importou:

  • 88% do consumo total de fertilizantes;
  • 96% do potássio;
  • 95% do nitrogênio;
  • 72% do fósforo.

 

Enquanto isso, a produção nacional permaneceu praticamente estável, em aproximadamente 7,2 milhões de toneladas, muito aquém do ritmo necessário para reduzir essa dependência estrutural. Os fertilizantes representam, em média, 23% do custo total de produção de culturas como soja, milho e algodão, fazendo com que qualquer interrupção no abastecimento represente uma ameaça direta à rentabilidade das propriedades rurais.

A concentração geopolítica dessa dependência amplia ainda mais o risco estrutural. Em 2025, a Rússia permaneceu como o principal fornecedor de fertilizantes para o Brasil, respondendo por 28,2% do volume total importado no primeiro semestre do ano — o equivalente a um valor anual estimado de US$ 4,36 bilhões — fornecendo volumes estratégicos dos três principais macronutrientes. Aproximadamente 45% das importações brasileiras de fertilizantes têm origem em países classificados como geopoliticamente instáveis, colocando o Brasil entre as economias agrícolas mais expostas do mundo.

O fechamento do Estreito de Ormuz, em decorrência do conflito envolvendo o Irã iniciado no final de fevereiro de 2026, transformou essa vulnerabilidade de um risco teórico em uma crise operacional concreta. Em condições normais, cerca de um terço do comércio marítimo mundial de fertilizantes atravessa esse estreito. Com o tráfego praticamente interrompido, os preços da ureia aumentaram mais de 30% em apenas uma semana, quase 1 milhão de toneladas de fertilizantes ficaram retidas na região do Golfo e grandes produtores declararam situação de força maior. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou para o risco de uma crise global no sistema agroalimentar, com impactos sobre as colheitas ao longo do segundo semestre de 2026 e durante 2027.

Os insumos biológicos oferecem uma solução produzida localmente para um problema cuja origem é global. Cerca de 85% dos bioinsumos utilizados nas lavouras brasileiras são fabricados por empresas instaladas no próprio país, eliminando, na prática, a exposição cambial e reduzindo a dependência das cadeias internacionais de suprimento. Como observam os especialistas do setor, produtos biológicos são, por natureza, incompatíveis com cadeias logísticas de longa distância: precisam ser produzidos próximos ao local onde serão aplicados.

O argumento agronômico é igualmente consistente. No caso do fósforo, por exemplo, apenas 30% do nutriente aplicado é efetivamente absorvido pelas plantas; os 70% restantes permanecem retidos no solo. A utilização de microrganismos solubilizadores de fósforo, capazes de elevar essa eficiência mesmo em 10 pontos percentuais, representa uma redução mensurável tanto nos custos dos insumos quanto na dependência nacional de fertilizantes importados.

Análises econômicas indicam que a integração de inoculantes microbianos aos programas de manejo nutricional pode gerar uma economia anual de até US$ 5,1 bilhões em importantes culturas de grãos e energia.

Desafios estruturais: margens, comoditização e o caminho para a diferenciação

Apesar do robusto crescimento da área tratada, a trajetória de faturamento do setor de bioinsumos revela um cenário mais complexo. Após duas safras consecutivas de praticamente estagnação da receita — impulsionada pela queda dos preços médios de venda e pelo avanço acelerado da comoditização — o mercado voltou a apresentar forte recuperação em 2025, com crescimento de 15%, alcançando R$ 6,2 bilhões em faturamento. Ainda assim, as tensões estruturais permanecem.

Mais de 150 empresas competem atualmente em um mercado que exige margens operacionais mínimas entre 15% e 20% para garantir viabilidade comercial — um patamar que torna economicamente inviável, para a maioria das empresas, manter investimentos consistentes em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D). As estimativas indicam que margens entre 30% e 50% seriam necessárias para sustentar um ciclo contínuo de inovação. Com a taxa básica de juros em 15%, o custo de oportunidade do capital passa a competir diretamente com o retorno obtido pelas empresas do setor. Ao mesmo tempo, os produtores exercem forte poder de negociação em um mercado altamente fragmentado: quando dois produtos apresentam desempenho semelhante, a escolha tende a recair sobre a alternativa de menor preço. O resultado é um processo crescente de comoditização, que penaliza a inovação e comprime as margens ao longo de toda a cadeia de valor.

O caminho para o crescimento passa, portanto, pela diferenciação. Os protagonistas da próxima fase de consolidação do setor serão aqueles capazes de combinar escala, portfólio de produtos registrados e desempenho técnico comprovado em campo. Esse movimento já vem acelerando as operações de fusões e aquisições (M&A) e a saída de empresas menos capitalizadas do mercado.

Reforma regulatória: o próximo catalisador estrutural

A Lei Nacional dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024), sancionada em 23 de dezembro de 2024, estabeleceu um marco regulatório abrangente para os bioinsumos destinados à agricultura, pecuária, aquicultura e sistemas florestais. A legislação reconhece formalmente que um mesmo microrganismo pode desempenhar múltiplas funções agronômicas — uma distinção que, anteriormente, expunha os fabricantes a penalidades regulatórias e criava entraves nos processos de registro. O novo marco também estabelece um caminho regulatório para o desenvolvimento de coformulações, até então autorizadas apenas para aplicações em tratamento de sementes.

Os reflexos desse avanço regulatório já são visíveis no mercado: em 2025, o Brasil registrou 162 novos produtos biológicos, o maior número anual já registrado. O Programa Nacional de Bioinsumos (PNB), instituído pelo Decreto nº 10.375/2020, coordena a atuação de órgãos governamentais, iniciativa privada, instituições de pesquisa e sociedade civil em torno de oito objetivos estratégicos, que abrangem políticas regulatórias, crédito rural, infraestrutura de pesquisa e fortalecimento da agricultura familiar. Medidas complementares atualmente em desenvolvimento deverão permitir o registro de formulações combinando fungos e bactérias — atualmente inseridas em uma zona regulatória indefinida — além de reduzir ainda mais os prazos para aprovação de novos produtos.

A vantagem competitiva do Brasil: potencial significativo, porém pouco explorado.

O Brasil reúne um conjunto singular de atributos que o posicionam para assumir a liderança global no mercado de bioinsumos: entre esses diferenciais estão sua incomparável biodiversidade tropical, uma sólida base científica sustentada por instituições como a ESALQ/USP e a EMBRAPA, capacidade produtiva instalada e um sistema agrícola de escala comercial capaz de validar e incorporar rapidamente novas tecnologias diretamente no campo. Somente no segmento de inoculantes, o número de empresas registradas passou de 36, em 2021, para 63, em 2025.

Outro diferencial relevante está na velocidade de desenvolvimento. O ciclo de desenvolvimento de novos produtos biológicos é significativamente mais rápido e menos intensivo em capital do que o de defensivos químicos convencionais. Em média, um novo bioinsumo pode ser desenvolvido entre dois e cinco anos, com investimentos entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões — aproximadamente metade do tempo e apenas 10% do custo necessário para desenvolver um equivalente químico sintético. No caso dos inoculantes, esse ciclo pode ser reduzido para cerca de 18 meses. Os impactos econômicos também são expressivos: estima-se que o uso de bioinsumos gere uma economia anual de aproximadamente R$ 165 bilhões para a economia brasileira — um número que evidencia a relevância macroeconômica da ampliação de sua adoção muito além da porteira.

O produtor como protagonista dessa transformação

No centro dessa transformação está o produtor rural brasileiro, que hoje opera sob margens de rentabilidade mais estreitas e em um ambiente de crédito cada vez mais restritivo. É justamente esse contexto de maior pressão financeira que vem acelerando a adoção dos bioinsumos como uma estratégia de gestão de custos — e não apenas como uma iniciativa complementar de sustentabilidade.

Em 2025, a adoção do controle biológico ultrapassou 43% dos 85 milhões de hectares cultivados com as principais culturas agrícolas do país, sendo soja e milho responsáveis por 77% de todo o consumo de bioinsumos.

A substituição parcial de aplicações químicas por soluções biológicas em culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar tornou-se uma realidade crescente e irreversível. Os produtores passaram a adotar critérios cada vez mais rigorosos na avaliação do custo-benefício por hectare cultivado. Dentro desse contexto, os bioinsumos vêm demonstrando, de forma consistente, sua capacidade de gerar valor.

O Brasil não alcançou sua posição de liderança por acaso. Ela é resultado da convergência entre pressão econômica, capacidade científica e escala produtiva. A dependência estrutural de fertilizantes importados — agora exposta de forma ainda mais evidente pela crise no Estreito de Ormuz — transforma a indústria brasileira de bioinsumos não apenas em uma vantagem competitiva, mas em um ativo estratégico para o país. O próximo desafio será converter essa liderança de mercado em desempenho comercial sustentável, apoiado por um ambiente regulatório funcional, margens capazes de sustentar a inovação e um posicionamento estratégico claro para as empresas comprometidas com o crescimento consistente desse setor.

Rovensa Next: Biossolucionando a agricultura no Brasil com estratégias integradas para impulsionar eficiência, rentabilidade e o desempenho sustentável das culturas

Com base na dinâmica de mercado apresentada pelo renomado consultor do agronegócio Carlos Cogo, a Rovensa Next responde ao aumento dos custos dos insumos, às ineficiências no aproveitamento de nutrientes e aos crescentes riscos da produção agrícola por meio de estratégias integradas de biossoluções, focadas não em aplicar mais insumos, mas em utilizá-los de forma mais eficiente.

Embora o Brasil continue altamente dependente da importação de fertilizantes, a Rovensa Next oferece um diferencial estratégico por meio de biossoluções desenvolvidas, produzidas e escaladas localmente.

Soluções como Atmo, biofertilizante que promove a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) em leguminosas; Azzofix, biofertilizante à base de Azospirillum brasilense, que também promove a FBN; e Phós’Up, que solubiliza fosfatos insolúveis e auxilia as plantas a utilizarem o fósforo de forma mais eficiente, contribuem para aumentar a disponibilidade de nutrientes entre 10% e 30%, de acordo com ensaios conduzidos pela Rovensa Next, promovendo maior eficiência no aproveitamento desses nutrientes e otimizando a produtividade e a qualidade da produção.

O Otimais Duo complementa essa estratégia ao favorecer a Fixação Biológica de Nitrogênio, ampliar a disponibilidade de fósforo e aumentar a eficiência no uso de nutrientes, maximizando o retorno sobre os investimentos em fertilizantes. Sua tecnologia de dupla inoculação foi validada em 94 ensaios de campo, conduzidos em sete países e dez culturas, com resultados que demonstraram, em média, incremento de 1.302 kg/ha na produtividade do milho e ganhos médios de 600 kg/ha na soja, de acordo com estudos realizados pela Rovensa Next.

Esses programas são complementados por soluções de biocontrole, como o Prev-Am, que oferece ação inseticida, acaricida e fungicida por meio da tecnologia patenteada Orowet®. O portfólio inclui ainda Row-Vispo e Milarum, biofungicidas à base de Bacillus subtilis, desenvolvidos para auxiliar os produtores no manejo de doenças, diversificar mecanismos de ação, contribuir para o manejo da resistência e reduzir a dependência de ferramentas convencionais de proteção de cultivos. Além disso, o Row-Vispo combina o isolado Bacillus subtilis IAB/BS 03 com a tecnologia de formulação BIOEVOLOGY®, proporcionando elevado desempenho no controle de doenças foliares.

O Wetcit Gold potencializa o desempenho das aplicações ao melhorar a cobertura, o molhamento, o espalhamento e a penetração das pulverizações, aumentando a eficiência das aplicações de nutrição e proteção de cultivos.

Eficiência por meio da integração

A estratégia da Rovensa Next para enfrentar a atual crise dos fertilizantes baseia-se em um princípio simples, mas transformador: eficiência por meio da integração, e não da substituição. Em vez de substituir fertilizantes convencionais por uma única alternativa, oferecemos uma combinação de biossoluções complementares, desenvolvidas para favorecer a disponibilidade e a absorção de nutrientes e permitir que as culturas utilizem esses recursos de maneira mais eficiente durante as fases críticas do ciclo produtivo.

Essa estratégia integrada atua diretamente sobre dois dos principais desafios que caracterizam o atual cenário dos fertilizantes — a volatilidade dos preços e a incerteza no abastecimento — permitindo que os produtores extraiam maior valor de cada unidade de nutriente aplicada. Esse resultado é alcançado por meio do fortalecimento do sistema radicular, da melhoria da vitalidade do solo e da dinâmica dos nutrientes, do estímulo aos processos naturais de ciclagem de nutrientes e da maior capacidade das plantas de aproveitar os nutrientes já disponíveis no solo.

Como consequência, há um incremento no metabolismo e na resiliência das plantas, favorecendo um uso mais eficiente dos nutrientes e melhor desempenho das culturas, mesmo sob condições de estresse. Ao integrar esses diferentes mecanismos de ação, a Rovensa Next possibilita que os produtores mantenham elevados níveis de desempenho produtivo enquanto adotam estratégias nutricionais mais resilientes e adaptáveis às crescentes pressões de custos e à volatilidade do mercado.

Inovação global, desenvolvimento local

Apoiada por uma rede global de manufatura e Pesquisa & Desenvolvimento presente no Brasil, México, Estados Unidos, América Latina e Europa, a Rovensa Next combina produção local com expertise global, oferecendo aos produtores maior segurança de abastecimento, inovação contínua e resiliência de longo prazo.

O Brasil ocupa posição estratégica nesse ecossistema de inovação por meio da nova planta-piloto de fermentação, em Monte Mor (SP), e do Global Research and Innovation Center, em Hortolândia (SP), estruturas que aceleram o desenvolvimento da próxima geração de biossoluções microbiológicas.

Em conjunto, essas estratégias integradas de biossoluções permitem que os produtores brasileiros maximizem o uso dos recursos disponíveis, protejam produtividade e rentabilidade, aprimorem o manejo da resistência e construam sistemas de produção mais resilientes, sustentáveis e preparados para os desafios da agricultura do futuro.

Fontes da análise de Carlos Cogo:

  • Cogo Inteligência em Agronegócio
  • ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos)
  • FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura)
  • Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)
  • EMBRAPA
  • Programa Nacional de Bioinsumos (PNB)
  • Lei Brasileira de Bioinsumos nº 15.070/2024
  • Dados públicos de mercado e relatórios da indústria

Fontes da Rovensa Next:

  • Exploração, pesquisa e desenvolvimento (P&D) do Otimais Duo, conduzidos entre 2023 e 2026 pela Rovensa Next em parceria com empresas externas de pesquisa.

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