Bigudo-do-algodoeiro - Foto Carlos-Rovensa Next Brasil

Bicudo-do-algodoeiro: controle ou perca a produção

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Imagine-se perdendo 70% da produção em uma única safra. Acredite, este prejuízo é real e pode ser causado pelo bicudo-do-algodoeiro. Por este motivo, ele é considerado a praga mais importante dentre outras 43 espécies de insetos, três de ácaros, dois de nematoides, três de fungos e seis de ervas daninhas listadas, por pesquisadores, como ameaças fitossanitárias do algodão.

Recentes estudos indicam que o bicudo responde, sozinho, por 11% dos custos de produção da cultura, gerando prejuízo aproximado de US$ 200 por hectare. Isso graças à sua incrível capacidade reprodutiva. Um único casal pode gerar 12 milhões de descendentes do início ao final da safra, devido ao seu ciclo de desenvolvimento. Entre as fases de ovo e inseto adulto, são necessários, em média, apenas 20 dias.

Presente em todas as regiões produtoras, o Anthonomus grandis – nome científico deste besouro de míseros 3-7 mm, mas com altíssima capacidade destrutiva, é um inimigo difícil de controlar e exige do produtor um acompanhamento muito próximo da lavoura, desde o surgimento do primeiro botão floral até o pós-colheita, além da necessidade da adoção de manejos preventivos, a fim de conter o avanço da infestação. Mais à frente o leitor entenderá o motivo.

As fêmeas depositam seus ovos nos botões florais e, após a eclosão, as larvas permanecem dentro deles, usando-os como fonte de alimento e abrigo, até que a metamorfose se complete. Os adultos emergem e se movimentam ativamente, alimentando-se de outros botões, flores e maçãs e, também, se reproduzindo.

É apenas nessa fase que o bicudo fica exposto ao controle químico, a estratégia mais amplamente empregada pelos produtores. O problema é que ele circula somente nas horas mais quentes do dia, quando o clima, geralmente, é desfavorável à pulverização. À medida que a cultura se desenvolve, mais o besouro encontra proteção na parte mediana das plantas.

 

 

Como deve ser o manejo do bicudo-do-algodoeiro?

Para conter a praga, o produtor rural precisa realizar o manejo preventivo e o controle químico. O primeiro passo é estabelecer o monitoramento, mesmo antes da instalação da cultura.

No manejo preventivo, é recomendado o uso de armadilhas de atração e também do tipo “atrai-e-mata”, como o tubo mata-bicudo.

Armadilhas de atração são compostas de uma base plástica, verde, de formato cônico, com o topo achatado, que acopla um funil telado cuja parte superior recebe um receptáculo para a pastilha de feromônio.

Elas devem ser colocadas em campo aberto e a 1,4 m acima do nível do solo, distantes uma da outra entre 150 e 250 metros, ao longo de todo o perímetro da área cultivada porque são nestes locais que a infestação inicia.

Já os tubos mata-bicudo são dispositivos feitos de papelão biodegradável, de cor semelhante à flor do algodão, contendo feromônio para atração, óleo de algodão e veneno. Devem ser posicionados 1 m acima do nível do solo. Essa técnica deve ser empregada durante a condução das áreas comerciais e no pré-plantio.

 

Controle químico com base no armadilhamento

O histórico dos índices de infestação permite tratar os talhões de forma diferente, categorizando-os conforme o nível de infestação. Essa estratégia possibilita maior economia, empregando mais inseticida onde realmente é necessário.

Agora, sobre o número de pulverizações necessárias, o Índice de Bicudo por Armadilha por Semana (BAS), obtido ao se dividir o número de insetos capturados pelo número de armadilhas existentes, indica:

 

Índice do Bicudo (BAS)

Cor do Talhão

Decisão*

0,1 a 1 Azul 1 Pulverização
1,1 a 2 Amarelo 2 Pulverizações
2 ou + Vermelho 3 Pulverizações
*Pulverizar na fase do 1º botão floral com intervalo de 5 dias

 

Durante a safra, vistorie, no mínimo, 250 Botões florais das plantas dominantes no talhão à procura da presença do besouro ou de botões florais com orifícios de postura ou alimentação, esses os principais “sintomas do bicudo”. Parecem pintas pretas.

Muita atenção nessa hora, uma detecção tardia vai permitir que as fêmeas ovipositem e, mesmo que o controle químico seja efetivo contra elas, uma nova geração já estará sendo formada dentro dos botões e maçãs, de forma que um novo surto ocorrerá duas semanas depois.

O bicudo virá das matas nativas, cerrados e de qualquer outro lugar onde tenha encontrado abrigo e alimento durante a entressafra. “O nível de controle é atingido quando, na amostragem, houver 5% dos botões com presença de bicudos adultos ou sinais de ataque”, informa Carlos Alberto Gandolfo Marques, especialista de Tecnologia da Aplicação da Rovensa Next Brasil.

 

Táticas para controle do bicudo-do-algodoeiro

 

  • Destruição de soqueiras e plantas tigueras: com essa estratégia elimina-se a principal fonte de alimento da praga.

 

  • Adoção de variedades precoces: dessa forma, a fonte de alimento do bicudo ficará disponível por um menor período de tempo.

 

  • Semeadura concentrada: produtores com áreas vizinhas podem plantar na mesma época que você, evitando a movimentação da praga.

 

  • Respeito ao vazio sanitário: esse é o período com ausência total de plantas vivas de algodão na lavoura com objetivo de interromper o ciclo reprodutivo do bicudo. No MT, por exemplo, temos vazio de 1 de outubro a 30 de novembro (Sul do estado e Vale do Araguaia) e de 1 de outubro até 14 de dezembro para as regiões norte e oeste. Veja como funciona em outros estados na figura a seguir.

 

  • Plantio-isca: consiste em pequenas faixas plantadas com algodão antes da semeadura das áreas comerciais e próximas das áreas de matas e capinzais. Como a infestação se inicia pelas bordas, essa área plantada será usada para atrair o bicudo e matá-lo com inseticidas.

 

  • Controle biológico: embora não haja produtos registrados no Brasil para essa prática, já existem pesquisas que mostram viabilidade para o futuro. Há microparasitas, fungos com atividade entomopatogênica e até artrópodes sendo estudados com potencial de controle.

 

  • Uso de redutores de crescimento: esses produtos uniformizam o crescimento da cultura e isso possibilita pulverizações mais eficientes. O algodoeiro pode crescer bastante sem o uso deles.

 

Controle químico do bicudo-do-algodoeiro

Esse é o método mais utilizado na cultura do algodão, tanto para o bicudo como também para toda a gama de pragas que afeta a cultura e, por isso, é de fundamental importância ao sucesso do cultivo.

Há no Brasil uma variedade de inseticidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Há diferentes ingredientes ativos, de diversos grupos químicos, disponíveis para promover o manejo da praga.

“Os inseticidas organofosforados e piretroides são os mais comuns para o bicudo-do-algodoeiro e alguns deles podem ser utilizados para controlar outras pragas do algodão simultaneamente como ácaros e percevejos”, explica o especialista em Tecnologia de Aplicação da Rovensa Next Brasil. A aplicação pode ser realizada via pulverizadores autopropelidos, de arrasto e também aviões agrícolas.

Segundo Carlos Gandolfo, a melhor hora do dia para o controle químico é aquela em que a praga está mais exposta e que, ao mesmo tempo, o clima permita pulverizar com baixo risco de perdas por evaporação ou deriva. “Ou seja, temperatura abaixo dos 30 graus e umidade acima dos 55%, com ventos entre 3 e 10 km/h. Nunca pulverize na ausência de vento”, adverte o especialista.

 

Qual deve ser o objetivo da pulverização?

Como o bicudo se contamina, geralmente, por meio do caminhamento sobre a área tratada, denominada contaminação tarsal, a pulverização deve objetivar boa cobertura de área da planta. “Por esta razão, torna-se essencial o uso de um bom adjuvante, como é o caso do WETCIT® GOLD aqui na Rovensa Next Brasil”, recomenda Carlos Gandolfo.

O produto possui a inovadora tecnologia do óleo da casca de laranja, que, entre outras vantagens, promove o adequado espalhamento da calda sobre a cultura e tem ação direta na melhora da eficácia das pulverizações. WETCIT® GOLD possuí formulação que não agride a camada cerosa do algodão, como aconteceria com o uso de diversos outros adjuvantes”, lembra.

O especialista afirma que pontas do tipo cone-vazio e jato leque são as mais indicadas para aplicações inseticidas contra o bicudo-do-algodoeiro, além do ajuste adequado de pressão para produzir gotas médias e finas (os DMVs mais recomendados neste tipo de tratamento) combinadas com taxas de aplicação que promovam a cobertura pretendida conforme descrito nas bulas dos inseticidas empregados. Um adjuvante redutor de deriva também pode ser necessário para evitar perdas e contaminações de áreas próximas. AIRTRUCK™ pode ser o que você precisa.

Para saber tudo sobre a escolha de pontas, ordem da mistura de produtos na calda, condições climáticas favoráveis à pulverização, pontas necessárias para cada tipo de agroquímico, compatibilidade de calda, taxa de aplicação e tudo mais que envolva a Tecnologia de Aplicação, nós recomendamos a leitura deste outro post nosso: Clique aqui para ler.

 

“Quando, na amostragem, houver 5% dos botões com presença de bicudos adultos ou sinais de ataque, é o momento de controlar”, informa Carlos Gandolfo

 

Como o bicudo do algodão chegou ao Brasil?

Descrito pela primeira vez por C. H. Boheman, em 1843, foi batizado de Anthonomus grandis e incluído na Ordem coleoptera, a partir de um exemplar adulto coletado entre 1831 e 1835. De acordo com dados de pesquisas, ele tem origem nas terras baixas do México, de onde expandiu para as regiões Norte e Sul dos Estados Unidos, em 1892. Em 1949, desceu para a Venezuela, por onde chegou à Colômbia, na década de 1950.

No Brasil foi visto pela primeira vez em 1983, num algodoeiro próximo do aeroporto de Viracopos, região de Campinas, em São Paulo, logo atingindo 90% de infestação. Sem controle, o bicudo-do-algodoeiro pode dizimar plantações inteiras. Para se ter ideia do tamanho dos danos causados, a região Nordeste já chegou a ter dois milhões de hectares de algodão. Após o início do ataque da praga, restam apenas 350 mil ha.

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